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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Amorosidade


Dizem que falta amorosidade entre as pessoas nos dias de hoje. O que exatamente isso significa?
por Eugenio Mussak

Há dois tipos de pessoas no mundo. As que vivem em estado de egoísmo e as que vivem em estado de amor.
Faz muito tempo que eu escutei essa ponderação de uma pessoa muito amorosa, inteligente e uma pianista excepcional: a professora Adelaide Moritz, minha mestra na música e na vida. Nunca me esqueci de sua análise por dois motivos: porque ao colocar “estado de” antes dos substantivos egoísmo e amor, ela criou uma nova classificação da condição humana; e porque ela qualificou o egoísmo como o antônimo de amor, e não o ódio, como seria de esperar.

Ela fez isso porque não se referia ao amor em si, e sim à condição de amar como um jeito de ser. É quase uma filosofia viver em estado de amor, o mesmo que estar conectado com o mundo por um cordão de luz, que ilumina as relações e as torna sempre agradáveis, independentemente de serem afetivas, familiares ou profissionais.

Por outro lado, viver em estado de egoísmo seria o mesmo que criar um cordão de isolamento que afasta as pessoas e condena seu “usuário” a uma vida pobre de espírito e curta de esperança. Viver em egoísmo significa querer só para si, não compartilhar, desconsiderar as necessidades e os sentimentos alheios. Ser um habitante do estado de egoísmo é o mesmo que declarar guerra ao mundo, usando como armas as palavras duras, a desconfiança permanente, o desrespeito latente.

Todos conhecemos pessoas dos dois tipos, mas vou falar aqui do primeiro jeito de ser, claro. Das pessoas que, por índole e por opção, vivem em amorosidade, o que não significa que não possam ser duras se isso for necessário para reinstalar a ordem no mundo ao seu redor. Lembro que a professora Adelaide era amada por seus alunos até quando, exigente, mostrava que não estava satisfeita com o desempenho deles. Pessoas amorosas são assim, são amadas porque são amorosas e são amorosas porque não têm medo de ser amadas. Há quem diga que amar é fácil e que ser amado é difícil. Os verdadeiramente amorosos deixam aberto o caminho nos dois sentidos.

Mas é importante esclarecer que ser digno de amor não é ser bonzinho, certinho, modesto e gentil para fazer amigos e influenciar pessoas. Isso é ser polido, amável. “A polidez é um simulacro da moral”, afirma o filósofo André Comte-Sponville, que se deu ao trabalho de escrever o Pequeno Tratado das Grandes Virtudes.

Matéria completa: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/094/pensando_bem/conteudo_572102.shtml

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